dentro de momentos

desligado o mundo
durmo e acordo no outro segundo
oriento o meu pé na estrada
minha bússola tem a face rachada
felizmente
qualquer caminho que se caminhe
desmente a necessidade de um destino
o sentido sente-se nos sentimentos
a emissão retoma dentro de momentos
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sala de estar

o futuro dirá se esta experiência musical que decorreu nesta última hora, aqui na minha sala, um misto de improvisação e letras já existentes na música brasileira, ficará por aqui ou não. se os 3 estavamos falando a sério continua. se estavamos a brincar também foi bom.

foi assim, depois de um belo jantar – acho que de aniversário: pegar as guitarras, fazer uns ritmos latinos e brasileiros. eu na minha viola acústica velhinha, a minha viola de cordas de aço em outras mãos e depois aquela criatividade da voz, relacionando os ritmos com músicas existentes e adaptando as letras e melodias. renderam 3. com o detalhe essencial dos guizos das minhas orelhas de rena transformadas numa percussão tão eficaz e bem tocada. foi tão tão bom. e aí vieram os planos e as promessas. e também o nome, sala de estar. aqui nesta hora projetamos uma vida de shows, misturas e gravações.

mesmo que não dê em nada – esta hora em que fomos tão infinitos é de guardar no coração.

numa noite triste – mas também alegre (e vice-versa)

diz o sepúlveda nas suas últimas notícias do sul:

(…) na patagónia a história é um género narrativo que não se preocupa em assumir rigores cronológicos ou séria objetividade. nas tabernas, quando alguém se apresta a narrar um facto conhecido de uma maneira geral, é habitual receber a seguinte advertência: conta-o como poeta, não como doutor.

assim, posso dizer que muitos estivemos numa festa no nepal, onde convivemos com a cultura milenar deste povo oriental – ontem soberbamente mesclada com vinhos portugueses. o vislumbre do rótulo permitiu alcançar que seriam da época dos descobrimentos.

de seguida, colocamo-nos num túnel do tempo que nos levou a uma paisagem de sonho: um miradouro da capital do império, dedicado a um santo que os arábes, apesar de não o reconhecerem como tal, diriam que tem uma ponte em seu nome. no dito miradouro uma feira de diversas culturas se dividia na multi e interculturalidade. dividia sagrado e profano. bebidas de países descobertos recentemente, comidas de colónias já firmadas.

mas a noite não terminaria assim. dando um novo salto temporal chegaremos a uma estalagem decadente no ferragial, que abrigou muitos convivas na sua sala vazia – que se encheu num segundo. e o estalajadeiro, sozinho, se dividia nas tarefas de dj que domava uma aparelhagem que insistia em falhar no meio das sonatas e na sua competência de manter o chafariz de cerveja e de vinho em condições de prover os dançarinos madrugadores.