voltei lá

estou em fase música brasileira de novo. mas não estou descalço – tenho com o que me entreter. felizmente nunca tinha ouvido bem (ou seja, sugar tudo, tudo, tudo) 3 discos de skank e pet shop mundo cão – do zeca baleiro. voltei a ouvir – e a pensar fogo que isso é tão bom – o carlinhos brown (aquele único bom, em minha opinião) e até fui ao passo do lui, do paralamas.

isso também coincide com uma lista de músicas que fiz para cantar e que nunca sairão disso, provavelmente. o treino é bom. por exemplo, não é fácil cantar o telegrama, do zeca.

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discursos

queria dizer… e mais não disse. os olhos ficaram cheios de lágrimas. falaram só eles – e disseram tanto. foi lindíssimo. depois encabulou-se e saiu da sala.

mais tarde soube que preparou um discurso e tudo. tinha uma conversa super pragmática – que sabia que ia ser só um tempo e tal. não, não – o discurso nunca seria tão esclarecedor.

termina o estágio. não trabalho com, mas sei que fará falta, pelo menos por isso que vi hoje.

[às 10.55 da manhã de hoje]

liberdade

liberdade! gritou alguém bem alto, na graça. eu olhei para trás. oh liberdade! – gritou outra vez. parecia que estava numa manif na plaza de mayo ou algo assim. e então a liberdade, lá ao fundo, virou-se.

onde vais? gritou a senhora que na frase anterior clamava numa manifestação política isolada na manhã tranquila mas agitada da graça.

vou ao hospital, respondeu a liberdade. e até podia ser esta a resposta mais adequada da outra liberdade, se ela falasse.

pensei que ias ter com o teu neto.

[graça, 9.25 da manhã de hoje]

o livro, a cinemateca, as estrelas

um lançamento de livro estranho, onde o autor não sabia por onde iniciar. weird. ele escreveu o livro? parece que sim. depois festear num lugar onde estou acostumado a ter reuniões sérias. saudades destas festas caseiras onde se dança ao som do dj que somos todos.

manhã seguinte para abastecer os encordoamentos e ouvir um grande som na loja. later, os lparallell lexperllencell na sala: campolide e cinemateca. porque cinemateca? o jornal sobre o sofá mandou. o improviso em cima de uns acordes tão bons. que sequência é essa? já tocamos isso não? tão bom! não tás a ver? são os verdes anos. sem comentários.

há umas horas a bola, por cima da linha do comboio, em roma. marcador inaugurado – o guarda redes que falava com o amigo. cómico, porque ele era emprestado. se fosse um dos costumeiros era trágico. depois aquele jazz no coreto, toda aquela gente, aniversário, vinho branco, lago, amigos. as portas da memória escancaradas – o simples estacionar em campo de ourique despertou.

o nome do jardim hoje me lembrou a astronautas, peguei no meu carro como se pegasse numa nave espacial e estivesse indo para uma outra dimensão. foi um pouco isso.

aliás, de onde vem o nosso impulso de sondar o espaço? no entanto, aquela gravidade onde o homem flutua, merecia a visita não de militares, mas de bailarinos

últimas notícias do sul

terminei as últimas notícias do sul, de sepúlveda. também tenho as minhas. o livro é sobre uma viagem por uma patagónia que se perdeu – uma realidade que, na altura, ia terminando. gostei muito. mais do que um livro sobre viagens é um livro sobre pessoas, em meu entendimento. gosto de ler o sepúlveda. no entanto, nestas crónicas às vezes ele usa um tom para se expressar que não me agrada nada. não sei explicar bem. algo como desse sul a que me aferro com todo o amor e com toda a raiva, para concluir a introdução. quase parei a leitura aí mesmo. pode ser inveja, pode ser porque bani isso das minhas escritas. acho mesmo um pouco aborrecido. pode ser uma fase minha. este meu post terminaria assim: uma fase desta vida que leva a poesia de nossa escrita no uivar do vento minuano, que suga a inspiração de nossas penas. ai, minha nossa senhora.