luto

Unicórnios, Pai Natal e Hamlet não existem. Luto é um manifesto: Aprender a esquecer para ser um pouco mais livre! As palavras parecem demasiado viciadas/viciantes e impossíveis de contornar. Um luto que é resposta, revolta, passividade, hostilidade, esquecimento, solidão, agitação, ansiedade e fadiga sobre o negro que se aproxima tão ameaçador. “Eu sou pela ditadura da felicidade, pela ditadura da boa disposição, da luta, do andar para a frente e ninguém me pode parar. Ninguém me pode parar. Ninguém me pode parar.”

http://projecto-luto.blogspot.pt/

parece-me que este fim de semana é para ir ao taborda.

hamlet I

acabei de ver hamlet, no teatro taborda, que acolhe o teatro da garagem. a encenação e concepção plástica é do carlos pessoa. sempre gostei das peças dele. por uma grande felicidade e por um ou dois euros na feira da ladra, quis o destino que eu tenha lido há pouco tempo hamlet. lembrava de muita coisa.

adorei. talvez a melhor peça que vi no teatro taborda – e já vi várias. tudo muito inteligente e muito bem feito.

o cenário incluía projeção de uma série de detalhes da própria peça num ecran ao fundo e noutros lugares do palco. e um balcão de várias faces, que serviu para tudo. como balcão, como muralha, como esconderijo e até como uma grande torre no fim. pesava e eram os atores que o manobravam, arrastavam e viravam rapidamente entre as cenas. devem ser as partes mais difíceis da peça.

da peça em si, até deve ter sido uma das mais convencionais que vi de carlos pessoa. ou talvez sinta isso porque li o texto há pouco tempo. ou porque esteja habituado ao modelo  – porque pensando bem, há aquelas confusões e maluquices tão boas. o final é um retrato do que conheço do encenador. e várias outras partes. é muito engraçado quando hamlet diz a horácio vamos para a corte e sai uma grande dança lá, como se de uma discoteca se tratasse. enfim, não dá para contar tudo. vale a pena ir ver.

uma tarde de sol

hoje fui ao ccb. lá vi o bes photo e os quadros e trabalhos do incrível nikias skapinakis. também fui mais uma vez à exposição permanente, que adoro. fez-me muito bem. os meus sentidos ficaram inspirados. chegando em casa pintei pela primeira vez em 15 meses. desde um pouco antes da ida para o brasil que isso não ocorria. comecei por meter as tintas na tela e o próprio desenho criou-se por si próprio, como sempre. mas desta vez, a meio, eu me surpreendi porque vi exatamente aquilo que as minhas mãos e as profundezas do meu cérebro queriam. assim, só ajudei a finalizar. faltava corrigir um pouquinho e ficava bem o que parecia que era para sair. até do cheiro do acrílico eu tinha saudades. foi mesmo muito bom voltar a estas lides.