diálogos im?possíveis i

há uma forte hipótese de regressar ao antigo nome.
eu entendo, eles não chegam aqui.
sim, percebes?
está calor, liga a ventoinha. e fecha a porta.
e os argumentos contra?
ai pá, estes? mas isso é sempre…

acaba sempre – o único defeito

assim acaba o fim de semana. [suspiro de alívio por apertar o “on” e estar na aparelhagem o cd que queria que estivesse. não preciso levantar à procura dos xx]. o fim de semana incluiu este frio, uma festa de natal, uma saída – no mob – com assuntos que felizmente nunca mais terminavam, uma gripe para quem expliquei que não tinha espaço, remédios, uma música à qual falta um dos quatro versos, jogo de futebol no frio [já mais recuperado], feira do relógio para comprar uns panos e ver a outra lisboa [foi hoje a primeira vez? não me parece], depois ir buscar esta jóia aqui ao meu lado [e sentir-me voar como no sonho da semana passada].

um piano

nunca dizer para um velho piano que ele está desafinado. é pura falta de respeito. não se pode ofender jamais um instrumento assim, que encerra imensos segredos, sonhos e razões. tem imensas histórias para contar. como ele subiu aquelas escadas todas, até ali: esta é logo a primeira. tem também a da motivação do seu primeiro dono para adquiri-lo. e pergunta-se depois – ao piano, claro está – onde está o teu dono? só o piano saberá qual foi a exata expressão do seu músico ao tocar a última nota do dia, a maneira como ele fecha ou fechava o tampo das teclas.

sentava-se ali. gostava disso de tentar entender as escalas sem saber patavina de teoria ou de pautas. tocava criações do momento. todas se perderiam no tempo, mas pareciam ser sempre a serenata ideal para os instantes em que a música começava a encher todo o espaço, a espalhar-se em todo o lugar, com a sua ressonância ímpar, que se entranhava até nos tijolos vermelhos ocultos em cada parede. tudo somado foram poucas horas, mas cada minuto foi valioso. são as pessoas que acordam um piano ou é ele que acorda as pessoas? quem acordava antes, de manhã? o piano ou ele? o piano o chamava ou era ele quem chamava o piano?

painéis malucos

lá na prateleira da poesia, este livro. não é bem um livro de poemas, é um livro de histórias. mas onde está é sempre ali: perto da estante da montanha de incensos. só boas ideias: cordas novas, livros por ler, músicas por ouvir.

nuns painéis malucos as mensagens eram assim. poucos entendem. normalmente se despistam – só porque querem perceber todos os detalhes. fixam-se nos provérbios. é ver bem, ler bem. é na frase seguinte – por ler, por escrever – onde costuma estar a resposta.

numa estação de metro qualquer disse: ainda não vi, quero ver com calma, viajar nisso.

apartes

tenho várias notas nas páginas 35, 43 e 47. misturam um monte de coisas. e normalmente tem uma dignidade formal discutível. à margem ou entre as check lists, tarefas e notas do dia-a-dia acotovelam-se literalmente (em vários sentidos aliás, o literalmente) estes pequenos apartes. alguns já vieram para aqui. mas não seria preciso. nem sequer quero criar um sistema. um método seria algo de monstruoso para isso.